Os inquestionáveis novos rótulos da Cervejaria Dogma ;)

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texto: Cilmara Bedaque e divulgação

fotos: Cilmara Bedaque e divulgação

Já falamos aqui no Lupulinas sobre a nova Cervejaria Dogma que nos chamou a atenção pela união de três micro-cervejarias bem conceituadas no meio cervejeiro brasileiro. Continuando seu plano de lançamentos, a Dogma apresentou duas novas colaborativas com a cervejaria californiana Modern Times. São a Modern Dogma, uma Imperial Mocha Porter (com 9% de graduação alcoólica e 40 de IBU) e a Panopticon Times, uma Belgian Saison (com 5,6% de ABV e índice de amargor de 23). Mais duas cervejas pra firmar o nome da Dogma como uma das melhores cervejarias do Brasil.

MODERN DOGMA
Estilo: Imperial Mocha Porter
ABV: 9%
IBU: 40
Formato: 310ml
Copo ideal: Snifter, Iso ou Bordeaux
Preço sugerido: R$26 nos pontos de venda
Harmonização: Queijos Azuis, Queijos de Fungo Branco, Frutas Vermelhas, Nozes Pecan, Chocolate Amargo e Sobremesas à base de Chocolate.
Assim como a Dogma, a californiana Modern Times é uma cervejaria relativamente nova e que está conquistando não só o público como também os críticos pela qualidade de sua cerveja. Para fazer estas duas colaborativas, os americanos Jacob McKean (Mestre-Cervejeiro da Modern Times) e Amy Kroone (responsável pelos cafés da marca), passaram o mês de agosto no Brasil conhecendo nossa cultura e visitando fazendas de café, guiados pelo conhecimento na área de Bruno Moreno da Dogma. Na apresentação da cerveja aos jornalistas, a Dogma nos serviu um café feito com os mesmos grãos usados na cerveja(o mineiro Mundo Novo). Garanto a vocês que foi um dos melhores cafés da minha vida e essa impressão se confirmou quando experimentamos a Modern Dogma.

PANOPTICON TIMES
Estilo: Belgian Saison
ABV: 5,6%
IBU: 23
Formato: 310ml
Copo ideal: Snifter, Iso ou Bordeaux
Preço sugerido: R$22 nos pontos de venda
Harmonização: Queijos Gouda, Brie e Camembert, Saladas, Peixes, Frutos do Mar, Massas e Risotos com sabores delicados.
Panóptico é um modelo de prisão desenhado por Jeremy Benthan para que apenas um único homem pudesse observar todos os prisioneiros, sem que eles soubessem que estavam sendo observados.
“Esse modelo foi expandido para a sociedade e muitos hoje acreditam que vivemos sendo observados, em uma sociedade do espetáculo, onde quando não somos observados por câmeras e mecanismos de controle expomos nossa privacidade em redes sociais”, comenta Bruno Moreno, um dos sócios-proprietários da Dogma. Se você ampliar o rótulo pode ver no panóptico homens e mulheres presos com seus celulares e tabletes.
Uma Belgian Saison foi elaborada, refrescante, frutada e complexa. Na receita o Cajá-Manga e um Dry-Hopping generoso do lúpulo americano Equinox, para acentuar ainda mais o cítrico e tropical dessa cerveja que visa desligar nossa sociedade desse controle e religar ao que realmente importa.
P.S.: O Lupulinas lamenta ter perdido quase todo material captado na entrevista /o\ e agradece os textos e fotos de divulgação da Raphael BeerPress

Cervejaria Dogma: Nasce Uma Estrela

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texto: Cilmara Bedaque
fotos: Fernando Satt Fotografia, Leo Satt  e Cilmara Bedaque

O título não é exagero. O Lupulinas fica feliz quando boas idéias se realizam com amor e competência. Muitos de vocês já conhecem daqui do blog, do Instagram ou do Twitter rótulos como Cafuza, Hop Lover, Touro Sentado, Hamurabi, Branca de Brett e Condessa d’Augusta. São todas excelentes cervejas que o Lupulinas indica com alegria. Essas cervejas eram feitas por três amigos que tinham três cervejarias: Bruno Moreno (Serra de Três Pontas), Luciano Silva (Noturna) e Leonardo Satt (Prima Satt). Eles se ajudavam nas receitas, na produção, na logística de distribuição e etc. Os rótulos de cada uma eram Cafuza, Hop Lover, Loucura de Baco, Touro Sentado e Branca de Brett na Serra de Três Pontas; Green Lover, Loucura de
Baco, Neblina e Condessa d’Augusta na Noturna e Cafuza e Hamurabi na Prima Satt. Pois então vamos agradecer os serviços prestados por elas e festejar o nascimento da Cervejaria Dogma.

Sim. Eles resolveram ser uma só cervejaria e ontem no Empório Alto de Pinheiros (EAP) foi lançada a Dogma e seus dois primeiros rótulos. São eles:

THE WALLACE
Estilo: Wee Heavy
ABV: 8%
IBU: 25

William Wallace liderou os escoceses contra os ingleses, abrindo caminho para que Robert The Bruce estabelecesse a independência escocesa. A The Wallace é uma Strong Scotch Ale (Wee Heavy), com aromas de caramelo e frutas secas, de sabor adocicado, corpo alto e fermentada com fermento tradicional escocês, resultando assim em uma cerveja agradável e complexa.

ORFEU NEGRO
Estilo: Russian Imperial Stout
ABV: 12%
IBU: 60
A peça Orfeu Negro da Conceição retrata um dos pilares do pensamento de Vinícius de Moraes: o amor absoluto. Com aromas de café, chocolate, caramelo e frutas secas, além de notas de baunilha apoiados em um corpo denso e aveludado, ela é como uma Russian Imperial Stout deve ser.

As duas cervejas são inesquecíveis mostrando que os caras não estão para brincadeira. O Lupulinas bateu um papo com eles, fez perguntas e gostou das respostas e intenções.

Lupulinas – Suas antigas cervejarias já atuavam juntas na distribuição e mesmo na criação de alguns rótulos. Por que agora a criação da Dogma?
Cervejaria Dogma – A criação da Dogma foi feita para diminuir um pouco a confusão que havia entre as marcas e para conseguirmos focar nossas energias em uma única marca e não dissipar em três marcas diferentes. Nós decidimos isso para tentar formar uma marca mais forte e com mais identidade e também, claro, juntar a força criativas das três cervejarias anteriores.

Lupulinas – Vocês optaram por deixar alguns rótulos antigos no mercado. Quais são as eles e qual o motivo deles serem escolhidos?
Cervejaria Dogma – Está tudo muito recente ainda, a princípio vamos manter Cafuza, Hop Lover e Green Dream. A idéia é manter o produto mais forte de cada marca, mas não tem nada completamente decidido sobre os outros rótulos, vamos sentir o mercado e ver o que achamos que vale a pena continuar ou não!

Lupulinas – A The Wallace e a Orfeu Negro que tive o prazer de experimentar na torneira são as novidades da Dogma. Falem um pouco de cada cerveja e por que a escolha destes estilos.
Cervejaria Dogma – A idéia era lançar duas boas cervejas para o inverno e que pudessem marcar a nova marca, por isso escolhemos duas receitas que são muito complexas e interessantes para ser o nosso cartão de visita. A The Wallace é uma Wee Heavy com uma ótima caramelização tanto dos maltes quanto da fervura e traços de fermento bem presentes que trazem grande complexidade para a cerveja. A Orfeu é uma Russian Imperial Stout muito robusta, corpo aveludado e muito complexa com aromas de chocolate, café, baunilha e ótimo perfil de fermentação.

Lupulinas – As micro cervejarias estão buscando junto ao governo federal um reconhecimento à sua importância como geradora de renda e trabalho locais e também uma escala no imposto a ser pago. Qual a posição da Dogma neste assunto?
Cervejaria Dogma – Acreditamos que precisamos mostrar para o governo duas coisas, primeiro que queremos aumentar o consumo responsável da bebida, sempre focados no beba menos beba melhor. E o que é tão importante quanto é que podemos ser produtivamente menos eficientes, mas somos socialmente mais eficientes. Geramos empregos em pequenas cidades e grandes cidades. Sempre queremos disseminar cultura em nossos produtos e o mais importante, geramos aproximadamente um emprego a cada 20.000 litros produzidos, enquanto a grande indústria gera um emprego a cada quase um milhão de litros produzidos. Ou seja, se aumentarmos a nossa fatia de mercado podemos gerar muito mais empregos diretos que a grande indústria da cerveja.
Apoiamos totalmente a Abracerva (Associação Brasileira da Cerveja Artesanal) e a Apacerva (Associação Paulista de Cerveja Artesanal), tanto que no lançamento doamos um barril para que o valor fosse doado para essas instituições. O único meio de conseguir que o setor sobreviva é a redução dos tributos para que consigamos preço para expandir nosso público, que hoje, infelizmente, é restrito.

Lupulinas – Pois é: a questão do preço para o consumidor. É inegável a qualidade de suas cervejas, mas também é dura a realidade do alto preço que é cobrado ao consumidor.
Cervejaria Dogma – Mais inegável é que a carga tributária sobre o setor hoje é gigantesca. Nossos produtos são caros porque usamos ótimos insumos e produzimos em ótimas cervejarias e isso tem um custo. Mas o chamado custo Brasil é o maior de todos, logística e energia estão cada vez mais caras, mas o principal é a tributação. Hoje no Brasil quanto melhor seu produto, mais imposto você paga, pois se você tem um custo maior seu imposto aumenta, pois ele é um percentual do faturamento. Cada um real a mais que colocamos de insumos tem que ser multiplicado por 1,5 devido a carga tributária elevada. Hoje em uma garrafa nossa que o consumidor paga R$24,00 – por exemplo – R$1,00 é nossa margem aproximadamente, mas se juntar os impostos de toda a cadeia nessa garrafa R$7,00 foram para o Governo.

Lupulinas – Sei que vocês começaram a fazer cerveja juntos, na panela, e isto criou e fortaleceu a amizade. Como donos de uma única micro cervejaria existe função determinada para cada um?
Cervejaria Dogma – A criação de produtos é feita pelos três, mas tentamos dividir as tarefas. O Leo tem mais foco em vendas, o Bruno na comunicação e o Luciano nas operações diárias da empresa.

Lupulinas – Onde vocês produzem seus rótulos?
Cervejaria Dogma – Nossos rótulos são feitos pela Agência Form e as ilustrações são do estúdio Alkemist.

Lupulinas – Quais são os planos da Dogma ainda para este ano e para 2016?
Cervejaria Dogma – Temos muitos planos, vamos lançar mais dois rótulos e temos um projeto no Social Beers atualmente, uma Black Saison com açaí em colaboração com a Stillwater dos EUA. Mas o foco principal agora é colocar nossos produtos já existentes gradualmente na Dogma!

É isso daí. O Lupulinas deseja boa sorte para a Cervejaria Dogma e que todos possamos experimentar e curtir todas novidades que vêm pela frente!