Brugges: a cidade dos canais, chocolates e cervejas

6 Comentario(s)

Brugges é linda? É sim. Capital da região de Flandres, na Bélgica, é conhecida também como a Veneza do Norte, em homenagem a seus charmosos canais. Ali você encontra o melhor chocolate do mundo e uma meia dúzia de museus bacanas, como o Groening, com um belo acervo de artistas flamengos. (Inclusive obras de nossos queridos Jan van Eyck e Hieronymous Bosch). Dizem também que Brugges é destino turístico para casais enamorados, graças a seu encanto. Nós, Lupulinas, fomos a museus, passeamos pelos canais, comemos chocolates e… bebemos muita cerveja! Aqui, pra vocês, três bares/restaurantes pautados pela boa cerveja e que nos ganharam de cara:

Brasserie Cambrinus
Localizado na praça principal da cidade, o Cambrinus é bem fácil de achar e o maior dos três estabelecimentos que listamos aqui. Sua carta de cervejas tem a espessura de uma bíblia e a primeira dificuldade que tivemos foi escolher uma das quatro centenas de opções disponíveis /o\ Escolhemos uma Brugse Zot, uma pale blond ale originária da cidade, para celebrar com uma local. Depois seguimos com as trapistas Westmalle e Wesvleteren e as abadessas Maredsous e St. Bernardus. Experimentamos também as cultuadas Gouden Carolus Tripel e a Urthel Hop It. A cozinha da brasserie oferece uma boa variedade de petiscos e refeições completas, mas prepare-se: pode haver uma pequena espera para sentar, pois é um dos pontos turísticos da cidade. E não espere também pela agilidade e simpatia dos garçons.
Endereço: Philipstockstraat 19
Site: http://www.cambrinus.eu/default.htm

Staminèe De Garre
O De Garre faz sua própria cerveja, servida na torneira, mas oferece outras marcas também, a maioria em garrafa. O bar, que também oferece petiscos, fica num beco muito escondido (dizem ser o menor e mais oculto beco em Brugges) e demoramos séculos para encontrá-lo. Nosso cosplay de caça ao tesouro valeu a pena: a Garre Tripel, sua cerveja de linha, é simplesmente deliciosa, uma típica belgian ale com lúpulos bem presentes. A excelência se explica pela Garre Tripel ser produzida pela cervejaria Van Steenberge, a mesma fabricante das deliciosas Augustijn e Piraat. Foi no De Garre que experimentamos pela primeira vez a Hopus, que é servida em dois copos: o maior para a cerveja e o menor para o sedimento de levedura que fica no fundo da garrafa, um néctar dos deuses. O proprietário, simpático, atende as mesas com dedicação e oferece sugestões. Ele também serve mini porções de queijo a cada cerveja pedida e no ambiente rústico do bar ninguém fala alto ou grita. Talvez como conseqüência da música clássica que toca ao fundo. Se foi difícil encontrar o De Garre, posso afirmar que tampouco nos lembramos de como saímos dali. Tipo lugar mágico. Capaz de termos visto duendes.
Endereço: De Garre 1
(pra ajudar a localização saiba que este endereço é uma viela com portão que fica no fim de um beco na Breidelstraat, entre a praça do Markt e a prefeitura velha, o Burg)
Site: http://www.degarre.be/

t Brugs Beertje
O nome é praticamente impronunciável (quer dizer “O Ursinho de Brugges”), por isso apelidamos o pico de “Bar da Daisy”, em referência à genial proprietária Daisy Claeys que recebe todo mundo de maneira calorosa. Pioneiro na promoção e divulgação das cervejas locais e artesanais, o ‘t Brugs Beertje é o mais informal e gostoso destes três que visitamos em Brugges. Os freqüentadores (locais e turistas mais ‘descolados’) passam horas jogando baralho, conversando, trocando de mesa para conhecer convivas, sem pressão para que consumam e saiam logo. No Bar da Daisy o tempo corre devagar e podemos saborear as brejas calma e tranquilamente. Ali você encontrará 300 cervejas diferentes (apenas belgas), cinco delas na torneira, em sistema de rodízio. O restaurante serve petiscos e um ou dois pratos mais consistentes, pois o espaço é pequeno. Queremos voltar um dia no bar da Daisy? A resposta é um grande e maiúsculo SIM. E em breve.
Endereço: Kemelstraat 5
Site: http://www.brugsbeertje.be/index_en.htm

P.S. 1: falamos lá em cima que o melhor chocolate belga você encontra em Brugges. É verdade. Embora eles sejam vendidos em quase toda esquina, há uma pequena doceria um pouco fora do centro, que vale visitar e sair com um latão de de pralines, bomboms e chocolatinhos. É a Spegelaere  que fica na Ezelstraat, 94. Consulte os horários da loja aqui ( http://goo.gl/i9R0Mm ). Evite o famoso e fake Museu do Chocolate.

P.S. 2: não deu para visitarmos a Cervejaria Haalve Maan que fabrica a local Brugse Zot. Eles têm um tour pela fábrica e só lá você pode experimentar a Zot na pressão, antes de ser filtrada. Inclua a visita em seu roteiro porque uma cerveja tão boa fica ainda melhor, fresca, na torneira da fábrica.

P.S. 3: Ah sim! E vale pegar um barco daqueles bem turistão pra passear nos canais de Brugges. Você será premiado com ângulos inesquecíveis desta mais que charmosa cidade.

 

Westvleteren: Melhor Cerveja Do Mundo Que Só Se Bebe Ali Perto Onde Os Monges A Produzem

27 Comentario(s)

fotos de Cilmara Bedaque

 Nós, Lupulinas, adoramos fazer turismo cervejeiro. Visitar pequenas cervejarias pelo país e pelo mundo é garantia de nos depararmos com regiões, cidades e situações que não constam nos roteiros e guias regulares. Para isso, o automóvel tem sido um grande aliado, já que as fábricas, mosteiros e micro-cervejarias se localizam em pequenas cidades do interior deixando a hospedagem mais barata e a viagem mais divertida :)

Um dia, decidimos que era o momento de conhecer a tão falada Melhor Cerveja Do Mundo Que Só Se Bebe Ali Perto Onde Os Monges Produzem. Fomos então para Westvleteren, oeste da Bélgica, quase na fronteira com a França, na Abadia de Saint Sixtus, em frente ao In de Vrede, bar-restaurante onde se bebe a tal Melhor Do Mundo.

É bom que se saiba que os monges produtores de cerveja trapista são da Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância (amamos este nome) e que, mesmo existindo 170 mosteiros desta ordem no mundo, apenas sete têm licença para produzir a renomada iguaria líquida. Seis deles ficam na Bélgica (Rochefort, Westmalle, Westvleteren, Orval, Achel e Chimay) e um na Holanda (La Trappe).

Poperinge, a capital do lúpulo belga

Vínhamos fazendo pequenas escalas pelos Países Baixos, desde Amsterdam, e resolvemos nos hospedar em Poperinge, pequena cidade de 12 mil habitantes a 11 km da abadia. Pouso calculadamente estratégico, bem perto da Melhor do Mundo. Por recomendação do amigo Edu Passarelli, ficamos no Café de La Paix que, além de pequeno hotel, é também um restaurante com ótimas cervejas locais. Se você preferir fazer um bate-e-volta, vindo de cidades mais conhecidas e turísticas, há boas opções: Westvleteren fica a 70 km de Bruges (um encanto de cidade e com três ótimos bares/cervejarias, sobre os quais falaremos em outro post), a 135 km de Bruxelas e 280 km de Paris.

Vale pernoitar em Poperinge, cercada pelas plantações dos melhores lúpulos da Bélgica e uma cidade muito agradável, cheia de história. Logo na praça principal nos surpreendeu a estátua de um ser, digamos, peculiar: uma espécie de Don Quixote gnomo, montado de costas num burro e carregando uma rocha no colo. Descobrimos depois que a figura era um tal de Squire Ghybe, ser asqueroso que representa as três cidades vizinhas rivais (Gent, Bruges e Yeper), potências da indústria tecelã que governavam a província de Flandres (o burro) de maneira equivocada (de costas) carregando a cidade de Poperinge (a rocha).

In de Vrede e Saint Sixtus

Como não existem ônibus, carroças ou trens para Saint Sixtus, foi indispensável o uso do carro e um GPS porque os monges trapistas desta abadia não gostam de placas indicativas e outras facilidades que observamos em outros monastérios que visitamos. Chegar a Westvleteren é uma espécie de Corrida Maluca praticada com prazer pelos amantes da cerveja em todo o mundo (mesmo os 11 km desde Poperinge foram cheios de voltinhas).

Depois de nos perdermos e nos acharmos, encontramos a abadia, que passava por algumas reformas e muitas dificuldades financeiras. Das sete abadias com certificados para a fabricação de cervejas trapistas no mundo, o mosteiro de Westvleteren é o único que não exporta nem comercializa suas bebidas fora da região. Eliminando custos, as garrafas não têm rótulo. Isso lhe confere certa mística, mas também limita a entrada de grana. Apesar disso, eles não pretendem aumentar a produção que é trabalho de apenas dez dos trinta beneditinos que vivem no monastério.

É para o sustento dos monges e para a manutenção da produção que, em frente à abadia, funciona um grande bar que serve exclusivamente os três tipos de cervejas Westvleteren e vende copos, queijos e outros itens. Atenção, porque não é restaurante. Para acompanhar as cervejas, você pode escolher o maravilhoso queijo trapista feito com a própria cerveja, alguns embutidos, conservas e só.

Se você quiser levar bebida para o hotel ou para o Brasil, prepare-se: é dificílimo sair dali com garrafas. Quem sai com um pacote de seis, por exemplo, tem que ter agendado a compra e deve trazer de volta os cascos no dia seguinte, sob pena de ser banido para sempre (Tá, esse papo de ser banido é um exagero, mas é verdade que é quase impossível sair com garrafas de Westvleteren). Enfim, beba o que você quiser beber ali mesmo. Serão momentos inesquecíveis. Só para sofrermos, informamos que cada Wesvleteren custa um euro e sessenta centavos, menos que uma Skol na balada /o\

Qual o segredo da Melhor Cerveja do Mundo? Apostamos que há algo naquela levedura, guardada a sete chaves pelos monges desde 1838. Por sorte, ela também pode ser apreciada nas cervejas St Bernardus, da vizinha cidade de Watou que, até 1992, fabricava as Westvleteren (que depois voltaram a ser produzidas na abadia de Saint Sixtus, exigência para ostentar o selo “trapista”). Assim se você quiser saber, de longe, qual o sabor da Melhor do Mundo, beba uma St Bernardus, facilmente encontrada aqui no Brasil nas melhores casas do ramo.

Trapistas e Abadessas

Fugindo de nosso estilo resolvemos descrever as sensações que tivemos em Westvleteren experimentando a sacrossanta cerveja e suas aparentadas.

WESTVLETEREN BLONDE – garrafa de 33 cl 5,8%alc – Altamente lupulada, álcool esparramado e redondo, espuma persistente e generosa agarrando-se ao copo. Cítrica, levemente picante, mas de maneira harmoniosa com outros ingredientes, esta blonde deixa um sabor levemente amargo e delicioso em sua boca.

WESTVLETEREN BRUIN 8 – garrafa de 33cl 8% alc – dark ale – Cor marrom, chocolate bem escuro, como é característica das darks, com espuma consistente e generosa. No olfato, caramelo e marzipã, levemente perfumado. Muito lúpulo ou a qualidade do lúpulo usado nos lembra o tempo todo que estamos bebendo um líquido feito à base desta planta. Na boca, um chocolate e álcool muito bem balanceados como se um licor sem açúcar estivesse em nossa boca. Mais que chocolate sentimos a presença do cacau.

WESTVLETEREN BRUIN 12 – garrafa de 33 cl 10,2% alc – ainda uma dark ale de cor marrom parecidíssima com a 8. O aroma frutado lembrando frutas pretas nos remete às amêndoas que estão presentes também em seu sabor. Alta complexidade em seu paladar revelando um lúpulo de excelente qualidade e uma receita de raro equilíbrio. Talvez a melhor cerveja que tenhamos bebido em nossas vidas até agora. Maltada sem ser enjoativa graças às arestas proporcionadas pelas especiarias e pelo lúpulo. Aquece.

ST BERNARDUS PATER 6 – garrafa 33 cl 6,7% alc – abadessa – uma cerveja de alta fermentação, refermentada na garrafa, da região de Watou. Boa espuma, leve, de coloração marrom turva. Na boca, é redonda, sem arestas e com boa acidez. Não é doce, nem caramelizada e seu amargor é leve.

WATOU’S BIERRE BLANCHE – garrafa 33 cl 5% alc – cerveja típica da região. Alta refrescância, aroma e gosto de limão dominantes. Uma verdadeira limonada com lúpulo.

ST BERNARDUS Abt 12 – garrafa 33cl 10% alc – abadessa refermentada na garrafa com espuma densa e cremosa, aroma lupulado e cacau. Cor marrom escura e opaca. No paladar, amêndoas, secura e álcool bem amarrado ao lúpulo.

ST BERNARDUS TRIPEL 8 – garrafa 33 cl 8% alc  – servida com levedo num copinho à parte, no In De Wildeman, bar de Amsterdã, que merece um post no futuro. Os toques de marzipã e amêndoas, presentes na levedura do copinho, são bem mais sutis no copão. A dica é beber um pouco da levedura do copinho intercalando com goles da cerveja e ir adicionando aos poucos a levedura ao copão.

 

Na saída de Poperinge atravessamos campos e campos preparados para a nova safra de lúpulos recém semeados. As estruturas de madeira que servem de apoio ao lúpulo, uma planta trepadeira, erguiam-se lado a lado da estrada. Uma boa imagem para despedida que só nos deu a brilhante idéia de voltar na época da colheita.

 



In de Vrede

Donkerstraat 13

8640 Westvleteren

Telefone In de Vrede: 057/40.03.77

 

Abbey Saint Sixtus of Westvleteren

Telefone Westvleteren: +32 (0)70/21.00.45

 


 

#OPORTUNIDADE de 8 a 17 de novembro acontece a Semana da Cerveja Belga em São Paulo e Campinas,  promovida pelo Consulado da Bélgica. Muitos rótulos com descontos.

Mais informações https://www.facebook.com/events/1380225542202210/?ref=22